A PAZ NO ANO DOIS MIL
Tem que se querer o momento.
Tem que ser semente, arvore e fruto.
Tem que se ter consciencia plena.
Ter as maos dadas, ternas, eternas.
Ser construida com brandura.
Ser praticada em toda a sua alvura.
Ser conquistada para o bem viver.
Seja bem-vinda e capaz.
A paz no ano dois mil.
Seja sonhada em toda a sua esfera.
Passe por sobre os telhados, Paises e mares.
Que os exercitos marchem por este prisma.
Os canhoes explodam em petalas de flor.
As passeatas, os Governos sejam de amor.
Um mundo pacifico ao nascer do Sol.
A terra em harmonia ao raiar da Lua.
Seja o vislumbrar da felicidade.
O calendario marque esse dia.
A paz no ano dois mil.
Seja inocente e madura.
Seja guardada no coracao de cada um.
Seja um templo sagrado.
Seja um tempo desejado.
E repouse em berco esplendido.
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RECRIAR
Nao quero a matematica.
Quero o abstrato.
Desatar a amarra plastica.
Viajar o nato.
Quero ser e estar.
Nao quero as previsoes.
Docemente amar.
Sem os impulsos das paixoes.
Transpor o universo paralelo.
Respirar os ares de la.
A brisa tocar o meu cabelo.
Trazer o arco-iris para ca.
Esquecer o compromisso diario.
Conhecer o segredo do vento.
Mesmo que vire o calendario.
Calar e soltar o pensamento.
Caminhar descalco na areia.
Desenhar os simbolos sagrados.
Mesmo que a agua apague um dia.
E despertar d'onde os sonhos sao criados.
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MUTACAO
Por um momento
Fiz da guerra: oracao.
Do dia o descanso.
Das rusgas, melodia.
Da separacao uma danca.
Da lagrima, perola.
Alguns podem te-la.
Da partida esperanca.
Da prisao fiz a janela.
Fiz do sofrimento, a brisa.
Mesmo que por um instante.
Para o sonho, espaco e laco.
Para a noite, o instrumento.
Contemple em serenata.
Fiz da paixao o vinho.
Da dor o caminho.
Das racas o abraco.
Da fala ancia
Da aversao o ima.
Da vida, poesia.
Das cinzas o recomeco.
Do vazio, o fundo.
Mesmo se nao alcancas.
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O TOQUE
O toque de caricia que principia o carinho.
Que embala o ser amado na viagem da entrega.
As maos estendidas aquela pessoa caida.
Eleva o ser do chao.
Reconhece a aceitacao do toque.
O toque que rola a peleja.
O sotaque na direcao oposta.
O braco forte que incentiva o competidor
a ter o olhar fixo na vitoria.
O toque sutil que resolve, acalma, enobrece.
E isso, doar-se.
Assim descortina a noite, tal sempre.
O Sol dorme.
E a vida repassa os acertos e os erros, os mesmos.
Tudo que passa despercebido e o que marcou
Talvez seja estrelas ao leo.
E a Lua suave reflete um toque branco
No branco dos olhos noturnos.
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